Tanto liberais quanto conservadores há muito tempo lamentam os estadunidenses não estarem pagando seu quinhão justo dos custos das peripécias imperialistas do Império dos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão.
Isso é ridículo.
Considere-se a sempre crescente dívida que está sendo acrescentada à folha de balanço de cada pessoa. Cada estadunidense, hoje, deve $40.000 dólares, que é o quinhão individual da dívida que o governo dos Estados Unidos tem junto a seus credores. Gostemos ou não, o governo federal, por meio do Serviço de Receita Interna – IRS [receita federal dos Estados Unidos] detém autoridade para coletar esse dinheiro de você e de todo mundo mais.
Na quinta-feira, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos votou permitindo aos federais aprofundarem a dívida em $1,7 trilião de dólares. De acordo com um artigo no Washington Post, isso equivale a um aumento de $6.000 dólares por pessoa. Isso aumentará o montante devido por você para $46.000 dólares. Se você tiver uma família de quatro pessoas, sua parte na dívida do governo será de $184.000 dólares.
Suponha que o IRS resolva coletar de você esse dinheiro. Que condições teria você para pagar a ele?
Obviamente, isso não é provável, pois as autoridades públicas estão perfeitamente cônscias da raiva e do furor que enfrentariam se usassem o IRS para coletar tal dinheiro. Incorrer em dívida é uma coisa, mas fazer o IRS coletar pela força o dinheiro dos contribuintes para saldar a dívida é outra.
Todavia, os credores que emprestaram ao governo federal o dinheiro para pagamento de suas despesas de assistencialismo e guerra, tais como o governo chinês, um dia vão querer receber. E o único modo de pagá-los será o governo dos Estados Unidos tomar pela força dinheiro dos cidadãos estadunidenses e usá-lo para pagar o governo chinês e outros credores.
Assim, quando chegar a hora da verdade e os federais precisarem começar a pagar seus credores, como obterão o dinheiro? Parte virá de impostos mais altos, mas meu palpite é o de que não muito. Historicamente, uma das coisas que autoridades pródigas mais temem é uma revolta tributária. Em vez disso, elas simplemente imprimem o dinheiro necessário e o usam para saldar a dívida com os credores.
Isso, naturalmente, fará o preço da maioria das coisas nos Estados Unidos disparar. É um modo conveniente de tributar as pessoas sem deixá-las perceber estarem sendo tributadas. Se os preços aumentarem, digamos, 25 por cento e a renda real continuar a mesma, as pessoas terão sido, na verdade, tributadas em 25 por cento.
A vantagem desse esquema, naturalmente, é que José e Maria da Silva não se farão ideia do que está acontecendo. Eles pensarão que o problema é ganância, avareza, donos de empresas, banqueiros, e especuladores. Não se farão qualquer ideia de ser o banco central do governo, a Reserva Federal, quem os está tributando por meio do aviltamento monetário.
Como observação à parte, essa é uma das vantagens da escolarização pública e das faculdades e universidades amparadas pelo estado. As pessoas, ao passarem por essas instituições, aprendem que a inflação é uma doença misteriosa e atemorizadora que atinge aleatoriamente as nações, como a gripe. A última coisa que José e Maria da Silva suspeitam é de a disparada de preços constituir o meio de o governo obter o dinheiro para saldar suas dívidas e financiar seus gastos sempre crescentes.
Eis para onde socialismo e imperialismo levaram nosso país — um caminho de devassidão moral, dependência do estado, prejuízos à autoconfiança e à independência do indivíduo, raiva por parte dos estrangeiros e ódio de nossa nação, ataques sempre crescentes contra nossas liberdade e privacidade, gastos e dívidas em disparada, e a ameaça de falência nacional.
Parece-me pois seguramente que os estadunidenses estão arcando com uma parte justa dos custos de Iraque e Afeganistão, juntamente com os de outras partes do estado assistencialista-beligerante estadunidense. Meu palpite é o de que, à medida que o tempo passar, número crescente de estadunidenses desejará ter dado atenção há mais tempo àquilo que nós libertários dizemos.





